terça-feira, agosto 02, 2011

Desamorfismos.

Que rosas fugitivas foste ali:

Requeriam-te os tapetes – e vieste...

– Se me dói hoje o bem que me fizeste,

É justo, porque muito te devi.



Em que seda de afagos me envolvi

Quando entraste, nas tardes que apareceste –

Como fui de percal quando me deste

Tua boca a beijar, que remordi...



Pensei que fosse o meu o teu cansaço –

Que seria entre nós um longo abraço

O tédio que, tão esbelta, te curvava...



E fugiste... Que importa ? Se deixaste

A lembrança violeta que animaste,

Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Mário de Sá Carneiro.

Para ler, aqui.

F.

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